Presidente da Azul afirma que no Brasil há oportunidades, mas é caro operar

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Presidente da Azul afirma que no Brasil há oportunidades, mas é caro operar
John Rodgerson, Azul Linhas Aéreas
Source: Diário do Turismo
18 de maio de 2022

"Passamos pela fase mais aguda da pandemia graças à vacinação e quando imaginávamos que teríamos um momento de calmaria, veio a guerra, a alta do dólar e do combustível" disse John Rodgerson


Nesse período, a empresa fundada pelo brasileiro-americano David Neeleman, ultrapassou as principais companhias aéreas nacionais e hoje é a maior companhia aérea do Brasil em número de voos e cidades atendidas, com aproximadamente 900 voos diários para mais de 140 destinos. Com 160 aviões e mais de 12.000 funcionários, a empresa é dirigida por John Rodgerson, que concedeu ao  Diário do Turismo  esta entrevista exclusiva. 

Por Paulo Atzingen

Em 2023, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras completa 15 anos. Do início, em 2008, até os dias atuais, quais são as principais marcas para essa solidificação no Brasil? 
A Azul se solidificou e cresceu muito nesses 15 anos. Consolidamos nossa marca e criamos unidades de negócios como Azul Conecta, Azul Cargo, Azul Viagens e TudoAzul, que continuam crescendo e se expandindo.
Somos a companhia aérea brasileira com maior número de decolagens e cidades atendidas, com mais de 900 voos diários. Atendemos mais de 150 cidades brasileiras e transportamos mais de 22 milhões de Clientes em 2021.
Outro marco importante em nossa história é a construção do hangar de Campinas, que completou dois anos de operação no mês passado. Levamos perto de nós todo o controle de manutenção, logística e implantação de novas tecnologias nas aeronaves aqui no Brasil e não mais no exterior, gerando uma economia significativa.

O que levou a Azul a optar por investir em rotas regionais? 
Apostar e investir no mercado de aviação regional faz parte do modelo de negócios da Azul. Já estamos em 150 destinos, enquanto antes da pandemia estávamos em 116 cidades. Nossa expectativa é chegar a 200 destinos no Brasil nos próximos anos, pois sabemos que nosso país depende muito mais do modal aéreo para ser conectado, o que contribui diretamente para o desenvolvimento econômico e social de todas as regiões que possuem companhia aérea regular. Além disso, os brasileiros têm uma forte vontade de viajar e vale destacar que há muito menos viagens aqui do que no Chile e na Colômbia, por exemplo. Existem oportunidades e a aviação regional é parte fundamental desse crescimento.

O mercado de transporte aéreo no Estado de São Paulo ainda tem espaço para crescer? 
Sempre há espaço para a aviação crescer. Construímos, em Campinas, o maior aeroporto em número de voos diários deste país. Antes da Azul, Viracopos tinha pouquíssimos voos comerciais e era um aeroporto voltado apenas para cargas. Mas temos mais oportunidades de expandir as rotas que já temos dentro do estado e eventualmente abrir novas cidades com a Azul e seu braço sub-regional, Azul Conecta. Mas é inútil ter apenas o desejo da companhia aérea. São necessários investimentos e incentivos dos setores público e privado para viabilizar as novas rotas e destinos para todos.

Quais são as regiões e estados brasileiros mais promissores para os planos de expansão da Azul Linhas Aéreas? 
A Azul, como empresa competitiva, está sempre atenta às novas oportunidades que são agregadas ao seu plano de negócios. Estamos buscando novas localidades em todas as regiões, mas nosso planejamento para este ano é para as regiões Norte e Sul.

A qualidade e o tamanho dos aeroportos regionais inibem o potencial de expansão da empresa? 
A infraestrutura continua sendo uma grande deficiência em muitos aeródromos do país. Existem muitas cidades com potencial para receber um voo regular, mas nos encontramos com a falta de elementos técnicos básicos para uma operação segura, que é um valor inegociável na Azul. Também temos muitos casos de aeroportos que operamos com restrições. Há cidades que gostaríamos de oferecer mais voos ou em horários melhores, mas devido à falta de instrumentos que auxiliem a navegação aérea, limitamos nossa operação. Isso, sem dúvida, continua sendo um obstáculo, especialmente na aviação regional.

Qual a importância do IPO na trajetória da Azul? 
A Azul estreou na Bolsa de Valores em abril de 2017 e foi uma importante forma de capitalizar a empresa para continuar investindo no Brasil e acelerar nosso crescimento.

Quais são as perspectivas para as rotas internacionais da Azul? 
No momento, estamos focados em nossa rede local. Acreditamos sim na retomada do mercado internacional, mas de forma mais lenta e gradual.

Como você analisa o cenário competitivo entre as companhias aéreas brasileiras? 
Estamos felizes com o plano de negócios que a Azul vem construindo para si e para o Brasil. O que posso dizer é que somos uma empresa forte que conecta pequenas cidades com o resto do mundo.
Apesar de ser um país propício a oportunidades, ainda somos um país caro para operações aéreas. São desafios que já existiam quando chegamos, há 14 anos. Muitas empresas fecham suas portas com pouco tempo de funcionamento ou entram em recuperação judicial. É um setor extremamente tributado e regulamentado que exige disciplina na condução dos negócios.

Qual a sua opinião sobre a ABEAR, da qual surgiu a Azul Linhas Aéreas? 
Estamos entusiasmados com o nosso futuro. Continuaremos com nossos planos de desenvolver cada vez mais cidades, mercados e frotas, estimulando o acesso ao transporte aéreo para que ainda mais brasileiros possam voar no Brasil e no mundo. Já somos um grupo com mais de 11.000 tripulantes e temos muito crescimento pela frente. Por isso, entendemos que nosso diálogo com a sociedade civil, autoridades, órgãos competentes e demais grupos de interesse deve ser realizado diretamente pela empresa. No entanto, continuamos mantendo um diálogo próximo e amigável com a ABEAR sobre diversos assuntos de interesse comum para o setor.

Como você resume a relação institucional entre a Azul e o governo federal? Você tem críticas ou reclamações? 
Nossa relação não só com o governo federal, mas com os governos de cada estado é muito amigável. Como uma empresa brasileira comprometida com o país e que quer estar mais próxima dos brasileiros, mantemos um relacionamento próximo com todos para trabalharmos juntos para o crescimento da economia, do setor aéreo e do maior número de pessoas que viajam de avião.

Quanto o faturamento da Azul Cargo representa no faturamento da empresa? Quais são as tendências neste segmento? 
A receita do quarto trimestre de 2021, divulgada em fevereiro de 2022 e disponível em nosso site de RI, demonstrou que o negócio de logística manteve seu excelente desempenho com um ano recorde, superando a ambiciosa meta de dobrar a receita em 2021, em relação a 2019. O faturamento do ano atingiu R$ 1,1 bilhão, 128,0% superior ao faturamento de R$ 480,7 milhões de 2019.
E esse crescimento da Azul Cargo tem sido fruto do negócio da empresa, que oferece uma solução logística incomparável para nossos Clientes. A Cargo já atende mais de 4.500 cidades e comunidades em todo o país, e em mais de mil cidades entregamos pedidos em dois dias. Este é um marco na história do país e nosso objetivo é continuar avançando com qualidade e eficiência.

Além de Viracopos, em Campinas, quais são os aeroportos mais importantes do país para ancorar a estratégia de regionalização da Azul?
O principal hub da empresa é o aeroporto de Viracopos, em Campinas, mas também temos bases importantes, como Belo Horizonte, Recife, Belém, Manaus, Porto Alegre, Rio, Curitiba e Cuiabá. Nesses mercados, temos uma operação muito robusta no dia a dia, oferecendo conectividade rápida com qualquer outra cidade do Brasil ou com qualquer uma de nossas bases internacionais.

David Neeleman, brasileiro de nascimento, fundador da JetBlue e da Azul Linhas Aéreas, ele é do tipo 'todo-poderoso' ou é bom em delegar e compartilhar? 
Conheço David há muitos anos e, apesar de não ser o CEO, ele tem um assento no conselho. Nossa relação sempre foi de camaradagem e em prol de uma aviação democrática e de qualidade, além dos milhares de empregos que estão sob nossa responsabilidade.

Adicione, John, qualquer conteúdo relevante não alcançado pelas perguntas. 
Passamos pela fase mais aguda da pandemia graças à vacinação e quando imaginamos que teríamos um momento de calmaria, veio a guerra, a alta do dólar e do combustível. Mesmo com todos esses desafios, continuamos animados e confiantes para o segundo semestre e para os próximos anos. Estamos otimistas com nossos planos de crescimento e recuperação e temos certeza de que tanto a Azul quanto o Brasil continuarão crescendo cada vez mais.

 
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