Segundo a CEPAL, América Latina e Caribe crescerão 5,9% em 2021

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Segundo a CEPAL, América Latina e Caribe crescerão 5,9% em 2021
Source: Twitter @cepal_onu
31 de agosto de 2021

Novo relatório anual da CEPAL adverte que a crise agravou os problemas estruturais da região e projeta desaceleração para o próximo ano


A América Latina e o Caribe crescerão em 2021, embora a pandemia continue e a crise tenha exacerbado problemas estruturais de longa data na região: baixo investimento e produtividade, informalidade, desemprego, desigualdade e pobreza. Por isso, a recuperação do investimento e do emprego, especialmente em setores ambientalmente sustentáveis, é a chave para uma recuperação transformadora e inclusiva, afirmou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) ao apresentar uma nova versão de um de seus mais importantes relatórios anuais. relatórios.

A Secretária Executiva da organização, Alicia Bárcena, divulgou o Estudo Econômico da América Latina e Caribe 2021: Dinâmicas de trabalho e políticas de emprego para uma recuperação sustentável e inclusiva para além da crise do COVID-19, no qual a CEPAL atualizou sua projeção de crescimento regional para este ano para 5,9% e alertou que a região terá desaceleração em 2022, com expansão estimada de 2,9%. 

O crescimento em 2021 é explicado principalmente pela baixa base de comparação -após a contração de 6,8% registrada em 2020- além dos efeitos positivos derivados da demanda externa e da alta nos preços dos produtos básicos (commodities) exportados pela região , bem como aumentos na demanda agregada.

“Existem assimetrias importantes entre os países desenvolvidos e os de renda média -entre a maioria dos países latino-americanos e caribenhos- tanto na dinâmica da vacinação quanto na capacidade de implementar políticas de recuperação. econômica”, indicou Alicia Bárcena.

“Para manter políticas fiscais e monetárias expansivas, os países da região precisam complementar os recursos internos com maior acesso à liquidez internacional e com mecanismos multilaterais que facilitem a gestão da dívida, se necessário. São necessárias iniciativas multilaterais para enfrentar as incertezas sobre a vacinação e o acesso dos países em desenvolvimento a financiamento em condições adequadas”, acrescentou o alto funcionário das Nações Unidas.

O documento mostra que os problemas estruturais que durante décadas limitaram o crescimento econômico da região se agravaram com a pandemia e limitarão a recuperação da atividade econômica. Antes da COVID-19, a região apresentava um caminho de estagnação: no período de seis anos entre 2014 e 2019 cresceu a uma taxa média de 0,3%, inferior à média do período de seis anos que inclui a Primeira Guerra Mundial ( 0,9%) e da Grande Depressão (1,3%). Mostra também uma queda progressiva do investimento, atingindo em 2020 um dos níveis mais baixos das últimas três décadas (17,9% do PIB). Da mesma forma, a produtividade do trabalho cai significativamente.

Por outro lado, em 2020 a pandemia desencadeou a maior crise que os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe vivenciam desde 1950. Em nível global, os mercados de trabalho da região foram os mais afetados pela crise gerada pela COVID- 19 - o número de ocupados caiu 9,0% em 2020 - e a recuperação esperada para 2021 não permitirá atingir os níveis pré-crise.

Da mesma forma, a pandemia causou uma queda acentuada na participação da força de trabalho, especialmente para as mulheres. Com a crise, a participação feminina em 2020 atingiu 46,9%, o que representa uma queda em relação aos níveis de 2002. Em 2021, espera-se uma recuperação desse indicador, que chegaria a 49,1%, apesar dos níveis serem semelhantes a 2008.

O Estudo Econômico destaca que a CEPAL propôs canalizar os investimentos para setores que promovam um novo estilo de desenvolvimento e que possam aumentar a competitividade, o emprego e reduzir a pegada ambiental. São eles: a transição para as energias renováveis; mobilidade sustentável nas cidades; a revolução digital, para universalizar o acesso às tecnologias; a indústria de fabricação de saúde; bioeconomia e serviços ecossistêmicos; a economia do cuidado; economia circular; e turismo sustentável.

“O aumento do emprego exigirá políticas produtivas e trabalhistas que promovam a inserção profissional, principalmente das mulheres e dos jovens”, disse Alicia Bárcena. Acrescentou que os programas que promovem o emprego devem ser ampliados, especialmente para mulheres e jovens; promover políticas setoriais de reativação das atividades produtivas gravemente afetadas pela crise, como o comércio e o turismo; estender e aprofundar programas de apoio a micro, pequenas e médias empresas (MiPymes); e impulsionar a economia de cuidados.

Em matéria fiscal, o relatório destaca que a política fiscal deve acelerar o investimento público e estimular e atrair o investimento privado. É prioridade para a sustentabilidade da política fiscal fortalecer a arrecadação tributária e reduzir a evasão, que representa cerca de US $ 325 bilhões (ou 6,1% do PIB regional).

Nesse sentido, um maior acesso à liquidez internacional e a mecanismos multilaterais que facilitem a gestão da dívida contribuiriam para ampliar o espaço para a política fiscal e monetária da região. A emissão de Direitos Especiais de Saque (DES) equivalentes a US $ 650 bilhões, implementados recentemente, fortalecerá a posição externa dos países da região, reduzirá riscos e liberará recursos para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Mas a emissão de DES e sua realocação não é uma panaceia e deve ser acompanhada por outras iniciativas, incluindo a criação de fundos multilaterais como o Fundo de Alívio da Economia COVID-19 (FACE) promovido pela Costa Rica, para facilitar o acesso a financiamentos.

O relatório destaca a necessidade de fortalecer os bancos regionais, sub-regionais e nacionais de desenvolvimento para aumentar a capacidade de empréstimo e resposta à pandemia, bem como o estabelecimento de um mecanismo multilateral de reestruturação da dívida soberana para fazer frente às obrigações contraídas com credores privados. Acrescenta a importância de mitigar a pró-ciclicidade das agências de classificação de risco e contribuir para tornar a estabilidade financeira um bem público global por meio da criação de uma agência de classificação de crédito multilateral.

“O conjunto de instrumentos inovadores deve ser expandido para melhorar o acesso ao financiamento e incluir os países de renda média em todas as iniciativas de alívio da dívida e acesso a liquidez concessional. O PIB não deve ser o único critério de avaliação do desenvolvimento e das necessidades dos países. Precisamos ir de graduação em graduação”, destacou Bárcena.

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