A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) informou que a demanda global de passageiros aéreos cresceu 2,1% em relação ao ano anterior em março de 2026, em um cenário marcado por fortes contrastes entre regiões e pelo impacto de fatores geopolíticos.
De acordo com os dados publicados, o tráfego total — medido em passageiros-quilômetro pagos (RPKs) — apresentou um crescimento moderado, enquanto a capacidade — assentos-quilômetro disponíveis (ASKs) — diminuiu 1,7% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Como resultado, a taxa de ocupação ficou em 83,6%, uma melhoria de 3,1 pontos percentuais.
O desempenho do mês foi fortemente influenciado pela queda no tráfego internacional no Oriente Médio. Globalmente, a demanda internacional caiu 0,6%, marcando a primeira contração desde 2021. No entanto, excluindo essa região, o crescimento internacional foi próximo de 9%, refletindo uma tendência positiva na maioria dos mercados.
“A demanda por viagens aéreas continuou a crescer em março, apesar das interrupções no Oriente Médio, embora a queda acentuada no tráfego na região tenha limitado o crescimento global”, disse Willie Walsh, diretor-geral da IATA.
Em contrapartida, o segmento doméstico apresentou um desempenho sólido. A demanda interna cresceu 6,5% em relação ao ano anterior, acompanhada por um aumento de 5,6% na capacidade. O fator de ocupação atingiu 83,0%, impulsionado principalmente por mercados como a China e o Brasil, que registraram crescimento de dois dígitos. A Austrália e o Japão também se destacaram, com uma melhora significativa em seus níveis de tráfego.
Em nível regional, a Ásia-Pacífico liderou o crescimento internacional com um aumento de 11,5%, impulsionado pelo Ano Novo Lunar e pela expansão de rotas. A Europa também apresentou um bom desempenho, com um aumento de 7,7%, destacado pelo forte crescimento das conexões com a Ásia, que aumentaram em quase 30%.
A América do Norte apresentou um crescimento mais moderado, com um aumento de 3,7% na demanda, enquanto a América Latina manteve um desempenho sólido com um aumento de 12,1%. A África, por sua vez, registrou uma das maiores taxas de crescimento do mês, com um aumento de 19,2% em relação ao ano anterior.
O caso mais crítico foi o do Oriente Médio, onde a demanda internacional despencou 60,8%, em meio a conflitos que impactaram significativamente o espaço aéreo da região. Essa situação também afetou a capacidade e os níveis de ocupação.
Além do desempenho de março, a IATA alertou para fatores que podem influenciar as tendências de mercado nos próximos meses. Entre eles, destaca-se o aumento dos preços dos combustíveis, que já começa a afetar as passagens aéreas.
Walsh observou que, embora esse fator ainda não tenha impactado a demanda ou as reservas, será crucial observar se os altos custos começarão a alterar o comportamento dos passageiros. Ele também alertou para possíveis interrupções no fornecimento de combustível em regiões dependentes do Golfo, como a Europa e a Ásia.
Olhando para os próximos meses, a perspectiva permanece positiva, com uma temporada de pico dinâmica prevista. No entanto, o desempenho do mercado dependerá em grande parte da estabilidade operacional, das tendências de custos e do contexto geopolítico.
Em resumo, março resultou em um crescimento moderado para a indústria aérea, mas também evidenciou a sensibilidade do setor a fatores externos, em um cenário onde a recuperação continua, ainda que de forma desigual.
Fonte:
Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA)