O avanço da inteligência artificial e a busca por experiências mais personalizadas têm redefinido a atuação das operadoras de turismo, segundo Aroldo Schultz, fundador e presidente das Empresas Schultz, durante a WTM Latin America.
A 13ª edição da WTM Latin America acontece de 14 a 17 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo, na capital paulista.
Com 40 anos de atuação no setor, o executivo associa a evolução do turismo a ciclos constantes de adaptação, influenciados por fatores como mudanças regulatórias, crises econômicas e transformações tecnológicas. Segundo ele, a digitalização já fazia parte da estratégia da empresa antes da popularização da internet, com o desenvolvimento de sistemas próprios de gestão para operação turística.
Mais recentemente, a companhia tem investido em inteligência artificial, com destaque para a plataforma Wikitravel AI, voltada à criação de roteiros personalizados. A ferramenta permite ao usuário planejar viagens com base em perfil, orçamento e preferências, gerando demandas que podem ser direcionadas a agentes de viagem. A proposta, segundo Schultz, é integrar tecnologia e intermediação profissional, sem substituir o papel do agente.
A empresa também prepara a ampliação do ecossistema digital com a inclusão de agências na plataforma e o lançamento de novas funcionalidades, como sistemas de engajamento baseados em recompensas. A estratégia busca aumentar a interação do usuário e ampliar a geração de leads para o trade turístico.
No campo da operação, o executivo aponta uma mudança no comportamento do consumidor, com maior demanda por viagens em grupos reduzidos e roteiros menos concentrados em destinos tradicionais. O modelo de “small group”, com grupos menores e experiências mais individualizadas, surge como alternativa ao turismo de massa.
Essa tendência está associada ao aumento da pressão sobre destinos consolidados, fenômeno conhecido como overtourism. Segundo Schultz, a diversificação geográfica deve ganhar espaço nos próximos anos, com maior promoção de destinos menos explorados e distribuição mais equilibrada do fluxo turístico.
O executivo também destaca a importância da sustentabilidade econômica das empresas do setor. Para ele, o crescimento deve estar associado à rentabilidade, em um mercado onde volume de vendas nem sempre se traduz em resultados financeiros consistentes.
No segmento de seguros de viagem, a avaliação é de que a demanda se consolidou após a pandemia, mas ainda exige maior conscientização do consumidor quanto à escolha de fornecedores e ao uso adequado dos serviços.
A combinação entre tecnologia, personalização e diversificação de destinos aponta para um cenário de transformação acelerada no turismo, com impacto direto na forma como operadoras estruturam seus produtos e se relacionam com o consumidor final.
Reportagem e foto: Mary de Aquino.