Viajar fora da alta temporada tradicional já não é exceção. Hoje, está se tornando uma prática cada vez mais comum entre os chilenos, que estão redefinindo a forma como planejam suas viagens. A chamada baixa temporada, que se concentra principalmente entre março e junho e entre agosto e novembro, excluindo semanas de pico como as férias de inverno, as comemorações do Dia da Independência e as férias de verão, apresenta um crescimento constante, com um aumento de quase 3% em relação ao ano anterior.
Essa mudança reflete uma lógica mais estratégica: os viajantes não se deslocam mais apenas com base em horários, mas sim na conveniência. De acordo com dados da COCHA, hoje a decisão se explica — em ordem de prioridade — por melhor preço, maior disponibilidade, menos congestionamento e uma experiência mais confortável no destino.
“Nos últimos anos, temos observado uma consolidação das viagens fora dos períodos tradicionais de alta demanda. Os viajantes chilenos estão mais dispostos a aproveitar preços mais baixos, maior disponibilidade e experiências menos lotadas”, afirma Daiana Mediña, Diretora de Branding e Relações Públicas da COCHA.
Embora a alta temporada continue a concentrar o maior volume, com 45% da procura nos últimos 24 meses, a baixa temporada está a ganhar destaque, especialmente entre aqueles que priorizam a flexibilidade e uma melhor relação preço-experiência.
Um viajante mais flexível e mais intencional.
Uma das mudanças mais óbvias está no prazo de reserva. Ao contrário das viagens de verão ou das férias de inverno, em que o planejamento pode começar com vários meses de antecedência, na baixa temporada as decisões são mais flexíveis, com janelas de reserva que variam de 30 a 45 dias.
“O comportamento de viagem é diferente na baixa temporada: há mais flexibilidade e decisões mais rápidas, porque também há maior disponibilidade. Isso permite que os viajantes otimizem melhor seu orçamento sem sacrificar a experiência”, acrescenta Daiana Mediña.
O perfil também está mudando: predominam os viajantes com maior flexibilidade de datas, juntamente com casais, pessoas mais velhas, grupos de amigos, viajantes individuais e famílias sem filhos em idade escolar, além de um segmento crescente que combina descanso com trabalho remoto ou escapadelas curtas.
Em termos de duração, escapadelas curtas de 2 a 3 noites coexistem com viagens de uma semana, especialmente em destinos regionais e cidades com boa conectividade.
Durante a baixa temporada, os destinos próximos continuam sendo os mais populares, especialmente na América do Sul. Em termos de preferências de viagem, o cenário de viagens fora de temporada se estrutura em torno de três áreas principais: o Caribe como líder em viagens de longa distância, o Brasil como principal destino regional e a Europa como uma opção consolidada graças à sua conectividade e oferta. O Brasil se destaca com o Rio de Janeiro em 6º lugar em vendas e Florianópolis em 15º, enquanto Buenos Aires ocupa a 18ª posição, subindo duas posições em comparação com 2025. Cartagena, por sua vez, entra na lista em 19º lugar, reforçando o interesse pelo Caribe colombiano.
Nesse cenário, soma-se a Ilha de Páscoa, que vem ganhando popularidade como destino fora da alta temporada, impulsionada pela sua conectividade estável com voos diários e uma oferta de viagens mais abrangente. A estadia média é de sete noites, com diárias em torno de US$ 780 por pessoa para acomodações padrão, o que reflete uma mudança no comportamento dos viajantes em direção a experiências mais imersivas, mesmo dentro do país.
Internacionalmente, o Caribe mantém seu apelo com destinos como Punta Cana, Cancún e Curaçao, enquanto a Europa, com cidades como Madri, Paris e Roma, e o Japão continuam fortes devido à conectividade e ao valor percebido.
“Destinos próximos continuam sendo populares porque permitem viagens mais curtas e acessíveis, mas também vemos como os viajantes chilenos estão se abrindo para opções mais distantes quando encontram uma boa oportunidade”, explica Daiana Mediña.
Alternativas menos convencionais, como La Romana, no Caribe, ou Tóquio, também estão começando a ganhar espaço, refletindo uma busca mais experiencial e personalizada.
O fator econômico continua relevante, mas já não é o único determinante. A baixa temporada permite o acesso a ingressos mais competitivos, melhorando a relação custo-benefício da experiência.
Um exemplo concreto: um pacote para o Rio de Janeiro (voo + hotel 3 estrelas por 6 noites) pode custar em média US$ 392 na baixa temporada, em comparação com US$ 524 na alta temporada.
“O viajante de hoje não busca apenas pagar menos, mas também viajar melhor. A baixa temporada permite o acesso a melhores condições, o que muda completamente a percepção de viagem”, afirma Daiana Mediña.
Nesse cenário, a taxa de câmbio também exerce influência direta: quando o dólar se valoriza, a baixa temporada se torna um instrumento para compensar esse impacto por meio de melhores preços de base.
Os eventos de comércio eletrônico têm sido fundamentais para essa mudança de hábitos. Iniciativas como a Travel Sale, que em 2016 reuniu 36 marcas do setor, impulsionaram descontos que variam de 20% a 55%, estimulando a demanda nos meses de baixa temporada.
De forma geral, o ecossistema digital continua demonstrando força: a CyberMonday 2025 alcançou vendas próximas a US$ 450 milhões, confirmando a alta receptividade do consumidor chileno a esse tipo de evento.
Entretanto, os viajantes tornaram-se mais exigentes. Flexibilidade, alterações, cancelamentos e assistência em viagem são agora fatores-chave nas decisões de compra, juntamente com uma crescente preferência por produtos mais personalizados. Nesse contexto, os pacotes flexíveis estão ganhando terreno, enquanto os pacotes com tudo incluído permanecem competitivos quando oferecidos em promoção.
“Segurança e flexibilidade tornaram-se essenciais na decisão. Hoje, os viajantes querem ter controle, mas também apoio durante todo o processo”, acrescenta Daiana Mediña.
Além do preço, a baixa temporada é impulsionada por motivações específicas: relaxamento, bem-estar, gastronomia, compras, escapadas urbanas e viagens relacionadas a eventos. Para 2026, o cenário é definido por cinco tendências: maior disposição para viajar fora dos períodos de pico, destaque para destinos próximos, ativação por meio de eventos promocionais, decisões mais sensíveis às taxas de câmbio e uma busca crescente por experiências em detrimento dos formatos tradicionais.
Fonte: Cocha.