O governo do Reino Unido e a indústria da aviação apresentaram progressos significativos na descarbonização do transporte aéreo durante a Cúpula Mundial Céus Sustentáveis, que coincidiu com a divulgação do primeiro relatório anual do Grupo de Trabalho Jet Zero.
O documento, apresentado pelo Ministro da Aviação, Assuntos Marítimos e Descarbonização, Keir Mather, destaca os principais marcos alcançados em 2025 por meio da colaboração entre o setor público, a indústria e a academia, marcando uma transição do planejamento para a implementação efetiva da estratégia de aviação com emissões líquidas zero.
Durante seu discurso, Mather enfatizou que o governo compartilha da ambição do setor de alcançar "céus verdadeiramente sustentáveis", embora tenha reconhecido que ainda existem desafios estruturais e tecnológicos. Nesse sentido, ele observou que a transição energética representa tanto uma necessidade ambiental quanto uma oportunidade econômica, ligada à segurança energética e ao desenvolvimento industrial.
Um dos pilares dessa transformação é a implementação do Mandato de Combustível de Aviação Sustentável (SAF, na sigla em inglês), em vigor desde janeiro de 2025, que exige que os fornecedores incorporem uma proporção inicial de 2% de SAF, com o objetivo de atingir 10% até 2030. Essa medida busca reduzir as emissões e, simultaneamente, estimular a produção nacional de combustíveis sustentáveis.
O Governo complementou esta política com instrumentos de incentivo, como um mecanismo de garantia de rendimentos para atrair investimento privado e a alocação de 63 milhões de libras esterlinas através do Fundo de Combustíveis Avançados, com o objetivo de desenvolver novas capacidades produtivas.
Em paralelo, a indústria respondeu aumentando a oferta de SAF (Combustível de Aviação Sustentável), desenvolvendo novas instalações e fortalecendo alianças estratégicas, como o Projeto Speedbird. Companhias aéreas e aeroportos também começaram a implementar incentivos financeiros para acelerar a adoção desses combustíveis.
Também houve avanços no desenvolvimento de tecnologias de emissão zero, com a expansão do programa Hydrogen Challenge e a mobilização de aproximadamente 240 milhões de libras em financiamento conjunto para inovação aeroespacial. No âmbito operacional, iniciativas como a otimização do projeto do espaço aéreo e a melhoria da gestão do tráfego aéreo contribuíram para a redução das emissões e o aumento da eficiência.
O relatório também incorpora avanços em soluções de longo prazo, incluindo marcos regulatórios para a remoção de gases de efeito estufa e tecnologias de captura de carbono, juntamente com pesquisas destinadas a mitigar impactos não relacionados ao CO₂, como rastros de condensação.
Nesse contexto, a organização Sustainable Aviation anunciou um investimento de 2 milhões de libras para impulsionar o mercado de remoção de carbono por meio de uma iniciativa chamada "Sinalização Avançada de Mercado". Por meio desse programa, seus membros se comprometem a comprar créditos de remoção, em um cenário em que o setor projeta a necessidade de remover entre 20 e 30 milhões de toneladas de carbono anualmente até 2050.
O diretor executivo da organização, Duncan McCourt, enfatizou que a indústria está trabalhando ativamente para reduzir seu impacto climático e que a expansão das tecnologias de descarte será fundamental para os setores que são difíceis de descarbonizar.
Também foram detalhadas medidas destinadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa que não sejam de CO₂, incluindo o uso de dados em tempo real, a otimização de rotas de voo, o uso específico de combustíveis sustentáveis e uma maior colaboração com a comunidade científica.
A Cúpula Mundial Céus Sustentáveis, realizada nos dias 17 e 18 de março de 2026, reuniu os principais atores do ecossistema aeronáutico global, consolidando-se como um espaço de articulação para promover a inovação, a cooperação e o desenvolvimento de soluções concretas rumo às metas de emissões líquidas zero do setor.