Equador aposta no mercado colombiano e consolida sua estratégia de turismo de nicho na ANATO

No âmbito do ANATO 2026 Tourism Showcase, conversamos com Mateo Estrella, Vice-Ministro do Turismo do Equador, sobre os objetivos do país no mercado colombiano, novos investimentos, conectividade aérea e segmentos estratégicos em desenvolvimento

(Source: Travel2latam)

Quais são os objetivos e expectativas do Equador para esta edição da ANATO?

Estamos muito felizes por estarmos na Colômbia, um país vizinho com o qual mantemos uma relação comercial e turística muito próxima. A proximidade é fundamental: o voo de Quito para Bogotá leva apenas uma hora e quinze minutos. O turismo colombiano tem sido muito importante, especialmente para a fronteira norte do Equador, com províncias como Esmeraldas, Carchi, Imbabura e Sucumbíos recebendo muitos visitantes.

Estamos aqui para fortalecer esses laços e atrair mais turistas colombianos. Hoje, mais equatorianos viajam para a Colômbia do que colombianos viajam para o Equador, por isso queremos, estrategicamente, intensificar nossa promoção nesse mercado.

A delegação equatoriana tem uma presença cultural e gastronômica muito forte. Como eles organizaram essa proposta?

Reunimos 15 operadores turísticos de todas as regiões do país e de diversos destinos, apresentando sua cultura e tradições. Entre eles, representantes de Quito, Morona Santiago e expressões culturais como a Diablada de Píllaro.

Também investimos muito em gastronomia: temos baristas apresentando o café equatoriano, chocolatiers trabalhando com cacau — o Equador é o berço do cacau — e chefs apresentando nossa culinária. É uma oferta completa, pensada para cativar tanto os visitantes quanto os operadores turísticos colombianos.

O setor privado é fundamental nesse processo. O Estado apoia e facilita, mas são os empreendedores que investem e comercializam, e temos um setor privado sólido e de alta qualidade.

Qual a sua visão sobre as perspectivas para os investimentos em turismo?

O investimento tem crescido de forma muito positiva. Em Guayaquil, novos hotéis estão sendo construídos sob marcas como InterContinental Hotels Group e Hilton, além de redes locais como a Oro Verde. Um novo Hilton também está em construção em Quito, e um Courtyard foi inaugurado recentemente no aeroporto. Em Cuenca, a Accor construirá seu primeiro hotel no país.

Isso demonstra a confiança das marcas internacionais e uma perspectiva muito positiva para os próximos anos.

De que forma a conectividade aérea impacta essa projeção de crescimento?

Em 2026, esperamos atrair mais 200 mil visitantes internacionais. Para atingir esse objetivo, estamos trabalhando em parceria com companhias aéreas. A American Airlines aumentará seus voos para Guayaquil e Quito, a United Airlines aumentou seus voos em 35% e a Aeromexico retomará suas operações no país.

Os Estados Unidos continuam sendo nosso principal mercado emissor, mas também buscamos fortalecer a conexão direta com o Brasil.

Quais segmentos do turismo estão atualmente apresentando crescimento acelerado?

O Equador é um país de nicho. Não estamos comprometidos com o turismo de massa, mas sim com um modelo sustentável com um conceito diferente de luxo: o luxo de não estar em meio a multidões, de visitar áreas naturais protegidas em condições ideais e de viver ao lado de comunidades que valorizam os turistas.

O ecoturismo e o turismo em áreas protegidas têm um grande potencial. O mesmo se aplica ao turismo de aventura, bem-estar e gastronomia, especialmente em Manabí.

O segmento MICE também está crescendo: Quito sediará a FIEXPO por três anos consecutivos, reforçando sua posição como destino para reuniões, congressos, eventos e exposições (MICE).

Como funciona o segmento de nômades digitais?

Oferecemos um visto especial para nômades digitais, válido por dois anos e que pode ser obtido online. O Equador possui uma economia dolarizada, o que proporciona estabilidade, e é também um país pequeno, porém incrivelmente diverso. Você pode trabalhar para alguém no exterior enquanto desfruta de alta qualidade de vida, explorando a Amazônia, os Andes, o litoral e as Ilhas Galápagos, que estão a poucos passos de distância.

Se você tivesse que recomendar três experiências imperdíveis no Equador, quais seriam?

O Chocó andino, perto de Quito, pela sua biodiversidade; Cuenca, um patrimônio cultural da humanidade e agora com ligação direta às Ilhas Galápagos; e a experiência gastronômica em Manabí, na costa do Pacífico.

O Equador tem uma grande vantagem: no mesmo dia você pode tomar café da manhã na Amazônia, almoçar nos Andes e jantar no litoral.

Quantos dias você recomendaria para viajar pelo país?

No mínimo dez dias. Os turistas internacionais ficam em média 14 dias, o que é positivo, pois somos um dos países da América Latina com maior gasto por visitante. Esse é o perfil que buscamos: viajantes que ficam mais tempo e têm experiências enriquecedoras.


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