Realizado no dia 3 de fevereiro, na Ville Du Vin, no Itaim Bibi, em São Paulo, o lançamento do ESTour – Salão Capixaba do Turismo reuniu operadoras associadas à Braztoa, representantes do trade e jornalistas especializados. O encontro apresentou oficialmente a proposta do evento que acontecerá entre 25 e 28 de abril de 2026, em Vitória, e deixou claro o objetivo de reposicionar o Espírito Santo no centro das decisões do mercado turístico brasileiro.
Uma iniciativa inédita liderada pelo setor produtivo
À frente da Cooptures, cooperativa realizadora do evento, Alfonso Silva destacou o caráter inovador da iniciativa, construída a partir de empresários consolidados do turismo capixaba. Segundo ele, “nós temos que representar quase toda a cadeia produtiva, hotelaria, eventos, receptivo, e foi uma iniciativa inédita no Brasil, porque realmente não existe nenhuma cooperativa que faça investimento em turismo como nós fazemos”.
Silva reforçou que o movimento é resultado de uma convergência rara entre iniciativa privada e poder público. “Hoje existe uma decisão de governo. Nós temos um Estado atrativo, estruturado e pronto para receber, com apoio sem sombra de dúvida do Governo do Estado, do Sebrae, do Contures, da Câmara Empresarial de Turismo e da Fecomércio”, afirmou o presidente da Cooptures.
Espírito Santo como joia rara do turismo brasileiro
Durante sua apresentação, Alfonso Silva definiu o Espírito Santo como um destino de alto valor concentrado. “O Espírito Santo é uma joia rara do turismo brasileiro, não porque é distante ou inacessível, mas porque ele concentra muito valor em pouco espaço”, disse. Ele ressaltou a proximidade real entre praia e montanha, a diversidade de paisagens e a eficiência logística como diferenciais competitivos.
“O aeroporto é central, próximo das áreas turísticas, e o trânsito é tranquilo e previsível. Na Grande Vitória você se desloca em menos de 40 minutos e, em até duas horas, está nas montanhas ou no litoral norte”, explicou Silva, ao citar destinos como Guarapari, regiões serranas e o litoral de São Mateus.
Hospedagem, mobilidade e experiências autênticas
Outro ponto enfatizado foi a estrutura de hospedagem e a viabilidade comercial para operadoras. “Temos meios de hospedagem com bom padrão, valores equilibrados e suficientes para atender diferentes perfis de público, permitindo pacotes mais acessíveis e saudáveis para quem opera”, afirmou o presidente da Cooptures.
Ao falar de experiências, Silva destacou o agroturismo capixaba como referência nacional. “O agroturismo do Espírito Santo é estruturado, organizado e funcional, com propriedades abertas à visitação, produção artesanal, gastronomia típica e vivências genuínas de campo”, disse, citando também os cafés especiais premiados e a identidade gastronômica do Estado.
Parceria do Espírito Santo com a Braztoa
A presidente executiva da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Marina Figueiredo, destacou a trajetória consistente construída pelo Espírito Santo junto ao mercado nacional e o papel estratégico das operadoras nesse processo. “Desde 2023, quando realizamos a Convenção da Braztoa no Espírito Santo, o Estado vem fazendo um trabalho coerente, consistente e regular, sempre trazendo o mercado junto para construir ações”, afirmou Marina, ao reforçar que a entidade segue como apoiadora institucional do ESTour. Segundo ela, “o Espírito Santo hoje aparece como destino tendência apontado pelos operadores, e isso é resultado desse trabalho coletivo entre governo, trade e operadoras”.
O papel do Sebrae na qualificação do destino
Representando o Sebrae Espírito Santo, Renata Vescovi, assessora técnica da diretoria e do polo de referência em Turismo de Experiência, contextualizou a evolução do Estado como destino turístico. “Em 2003, o Espírito Santo como destino sempre foi um desafio, competindo com grandes destinos, e hoje a gente fica muito feliz de ver onde chegamos”, afirmou.
Segundo Vescovi, o avanço é resultado de um trabalho contínuo de qualificação e articulação. “O comprometimento do Sebrae é com a qualificação da mão de obra, dos produtos turísticos e com o fortalecimento da governança. O ESTour é essa grande vitrine onde vamos mostrar o Espírito Santo de forma mais forte”, declarou, convidando o mercado a vivenciar o evento em abril.
Diversidade turística conectada ao mercado nacional
Responsável pela coordenação técnica do ESTour, Richard Alves, diretor executivo da Lab Turismo Consultoria, destacou a amplitude do portfólio capixaba. “Mar, cultura, patrimônio, natureza, ecoturismo, turismo rural, eventos e negócios, gastronomia e identidade formam esse mosaico turístico”, afirmou.
Para Alves, o salão cumpre o papel de conexão estratégica. “O ESTour conecta tudo isso ao mercado nacional, fortalecendo o trade e posicionando o Espírito Santo como um destino preparado para crescer no turismo”, disse, reforçando que o evento foi concebido para equilibrar volume e qualidade. “Não queremos massificar. O desafio é encontrar o equilíbrio, valorizando a autenticidade e elevando a percepção das experiências oferecidas.”
Um salão desenhado para negócios, capacitação e experiências
Com uma área de cerca de 7 mil metros quadrados, o ESTour terá uma feira organizada por segmentos estratégicos, espaços dedicados às operadoras, rodadas de negócios, áreas gastronômicas e salas de capacitação ao longo dos quatro dias. “Vai ser um evento bonito e diferenciado, pensado para apresentar o Espírito Santo de forma clara, organizada e comercialmente eficiente”, afirmou Richard Alves.
O lançamento em São Paulo marcou, assim, o início de uma jornada que busca transformar o Espírito Santo em prioridade nas prateleiras das operadoras e no imaginário do viajante brasileiro, com estratégia, cooperação e identidade própria.
Reportagem e foto: Mary de Aquino.