A aviação global definitivamente deixou para trás o período de crise e, em 2025, confirmou um dos melhores desempenhos de sua história recente. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a demanda de passageiros cresceu 5,3% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo tráfego internacional, que avançou 7,1%, superando os mercados domésticos. Esse desempenho reflete uma recuperação sólida, com renovado interesse em viagens internacionais tanto a lazer quanto a negócios.
O crescimento da demanda foi acompanhado por uma expansão quase equivalente da capacidade disponível, que aumentou 5,2% durante o ano. Como resultado, a taxa média global de ocupação atingiu um recorde de quase 84%, confirmando a utilização intensiva da frota global e a significativa pressão sobre a infraestrutura aeroportuária. Aeroportos, companhias aéreas e prestadores de serviços estão operando atualmente próximos da capacidade máxima, em um contexto no qual a margem para absorver a demanda de pico é cada vez menor.
Contudo, apesar desses resultados positivos, persistem restrições estruturais significativas. A cadeia de suprimentos de aeronaves continua a ser afetada por atrasos na produção e entrega de novas aeronaves, o que limita a renovação e expansão da frota. Essa situação é agravada pela pressão sobre os sistemas de manutenção, pela escassez de peças de reposição e pela falta de pessoal técnico qualificado, fatores que estão forçando muitas companhias aéreas a estender a vida útil de seus equipamentos e a reconfigurar seus planos de crescimento.
Entretanto, o mercado de carga aérea também encerrou 2025 com crescimento positivo. A demanda global aumentou 3,4%, impulsionada pela reestruturação das cadeias logísticas e pelo aumento da atividade em certas rotas intercontinentais. Os fluxos entre a Europa e a Ásia apresentaram um desempenho particularmente forte, enquanto outros corredores tradicionais registraram uma expansão mais moderada, em linha com a desaceleração em algumas economias e as mudanças nos padrões do comércio global.
Olhando para o futuro, até 2026, a IATA projeta que o setor manterá sua trajetória de crescimento, embora em um ritmo mais moderado. A demanda de passageiros deverá aumentar em cerca de 4,9%, enquanto o segmento de carga deverá crescer 2,4%. A região Ásia-Pacífico continuará liderando a expansão, seguida pela América Latina e Oriente Médio, regiões que demonstram forte potencial de conectividade e desenvolvimento de novos mercados.
Nesse contexto de transformação, o Diretor Geral da IATA, Willie Walsh, alertou durante a Cúpula de Aviação de Changi de 2026 que o setor “não enfrenta mais um problema de demanda, mas sim um problema de capacidade”. Ele enfatizou indiretamente que as atuais restrições na cadeia de suprimentos, os atrasos na entrega de aeronaves e as limitações operacionais estão impedindo as companhias aéreas de crescerem no ritmo exigido pelo mercado.
Walsh também destacou que, embora o setor tenha apresentado uma recuperação sólida após a pandemia, agora enfrenta uma fase mais complexa, em que o desafio não é apenas crescer, mas fazê-lo de forma sustentável, eficiente e resiliente, em um ambiente de altos custos, pressão regulatória e crescentes exigências ambientais.
A agenda ambiental é outra grande preocupação para o setor. A transição para combustíveis de aviação sustentáveis (SAFs) está progredindo mais lentamente do que o previsto devido à sua disponibilidade limitada e custos significativamente mais elevados em comparação com os combustíveis tradicionais. Isso representa um obstáculo fundamental para atingir emissões líquidas zero até 2050, além de aumentar a pressão financeira sobre as companhias aéreas. Ademais, os mecanismos de compensação de carbono e as novas regulamentações ambientais adicionam ainda mais complexidade à situação.
Em conjunto, os dados confirmam que a aviação global deixou para trás a fase de recuperação e está entrando em uma nova etapa de consolidação, marcada pela necessidade de crescer de forma eficiente, sustentável e resiliente diante de um ambiente global cada vez mais desafiador.
Fonte: Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA)