Em um marco relevante para a conectividade aérea regional, Bolívia e Paraguai deram passos concretos para a atualização e eventual implementação de um acordo de Céus Abertos, com o objetivo de liberalizar e fortalecer o transporte aéreo bilateral.
Em 27 de janeiro de 2026, especialistas da Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia (DGAC) e da Direção Nacional de Aeronáutica Civil do Paraguai (DINAC) se reuniram em La Paz para revisar e estabelecer as bases de um novo Acordo de Serviços Aéreos Bilaterais que, com uma visão mais ambiciosa, busca incorporar os princípios de Céus Abertos.
A proposta é substituir as atuais restrições operacionais por um marco mais flexível, que promova a livre concorrência entre companhias aéreas, uma maior variedade de rotas, novas frequências de voo e melhores opções para passageiros e operadores.
Durante as reuniões de trabalho, as equipes técnicas se concentraram na análise das cláusulas do tratado vigente e na definição de mecanismos de cooperação e coordenação que apoiem um modelo de liberalização progressiva. O diálogo incluiu aspectos técnicos, logísticos e regulatórios voltados a permitir que as companhias aéreas de ambos os países operem com menos limitações, o que poderia atrair novos operadores internacionais e ampliar a conectividade entre Bolívia e Paraguai no futuro.
O conceito de Céus Abertos refere-se a acordos bilaterais ou multilaterais nos quais os países reduzem limites de rotas, capacidades, frequências e tarifas, fomentando um ambiente competitivo que beneficia tanto as companhias aéreas quanto os consumidores.
Atualmente, a conectividade aérea entre Bolívia e Paraguai é relativamente limitada, com apenas três voos semanais operados pela BoA (Boliviana de Aviación) e seis frequências da Paranair na rota entre Assunção e Santa Cruz de la Sierra. Esse novo avanço nas negociações busca superar essas restrições, permitindo que outras companhias aéreas explorem a rota e atendam à crescente demanda de passageiros e cargas.
As autoridades aeronáuticas de ambos os países afirmaram que o objetivo central desses esforços não é apenas ampliar o número de voos disponíveis, mas também garantir que os benefícios do acordo se traduzam em maiores oportunidades para os usuários finais. Isso inclui melhorar a produtividade do transporte aéreo, gerar economias de escala, estimular o turismo e promover o comércio entre Bolívia, Paraguai e outros destinos conectados.
Analistas do setor destacam que acordos desse tipo podem dinamizar os mercados de transporte aéreo da América do Sul, atraindo investimentos e fortalecendo a posição de ambos os países como nós estratégicos nos corredores de conexão regional. Da mesma forma, um marco de Céus Abertos poderia incentivar a entrada de companhias aéreas estrangeiras interessadas em operar sem as barreiras típicas dos acordos tradicionais de serviços aéreos.
Embora as modificações propostas ao Acordo de Serviços Aéreos Bilaterais ainda precisem ser formalizadas e ratificadas, os sinais de avanço refletem uma vontade política e técnica compartilhada por ambos os governos para melhorar a infraestrutura e a competitividade do transporte aéreo. Esse processo também pode estabelecer um precedente para futuras negociações com outros países da região.
Com esse passo estratégico, Bolívia e Paraguai buscam não apenas modernizar sua relação em matéria de transporte aéreo, mas também se posicionar como atores-chave em um mercado regional que demanda maior conectividade, opções de viagem mais acessíveis e um ambiente mais dinâmico para as companhias aéreas que operam entre a América do Sul e outros continentes.