No âmbito da FITUR 2026, a Travel2latam acompanhou a apresentação de Marcelo Freixo, presidente da Embratur, onde foram apresentados os resultados recordes do turismo brasileiro e os principais elementos que norteiam sua projeção internacional.
Por que a FITUR é uma feira tão importante para o Brasil?
A FITUR é a primeira grande feira internacional de turismo do ano e marca o início do calendário turístico global. O Brasil teve uma presença muito forte em Madri, pois está vivenciando um período excepcional. Em 2025, o país atingiu a marca de 9,3 milhões de turistas internacionais, um recorde histórico que representa um crescimento de 37%, o maior do mundo. O segundo país com crescimento mais rápido foi o Egito, com 20%, o que significa que o Brasil cresceu quase o dobro. Isso consolidou o país como um destino turístico global com enorme potencial de expansão.
A Espanha é um dos mercados onde esse crescimento pode ser muito forte. Portugal, França, Alemanha, Reino Unido e Itália já registraram um crescimento entre 24% e 25% no turismo para o Brasil. A Espanha teve seu melhor ano na última década, com 160 mil espanhóis viajando para o Brasil, mas ainda não figura entre os dez principais mercados emissores, portanto o potencial continua enorme.
Além disso, com a inauguração dos voos da Iberia para o Nordeste do Brasil, para Recife e Fortaleza, este é o momento para as agências e operadoras espanholas trabalharem mais com o Brasil e o posicionarem melhor em suas ofertas.
Olhando para o resto do ano, quais são as expectativas para o Brasil?
O Brasil atravessa um ano eleitoral muito importante. Espera-se que a democracia se consolide, pois já foi comprovado que as pessoas viajam para países que admiram e com os quais sentem uma conexão cultural. O recente crescimento do turismo também está relacionado ao retorno do Brasil a uma posição de prestígio internacional e à sua ativa política externa.
Se o país conseguir crescer cerca de 10% ao ano em 2026, ultrapassará a marca de 10 milhões de turistas internacionais, o que é uma meta estratégica.
Quais destinos têm o maior potencial este ano?
Depende da época do ano. Durante o Carnaval, Rio de Janeiro, Recife e Bahia são os principais destinos. Além disso, o Brasil busca internacionalizar São João, uma importante festa popular do Nordeste, celebrada no meio do ano, que até então não havia sido promovida internacionalmente.
Expandir a conectividade aérea é fundamental. A malha aérea brasileira cresceu 16%, e voos da Argentina e do Chile agora alcançam muito mais regiões. Os argentinos não voam mais apenas para Búzios; agora podem viajar até Fortaleza. Os chilenos voam para Minas Gerais, o sul e o nordeste do país. Novas rotas também estão sendo adicionadas dos Estados Unidos para a Bahia e da Europa para o nordeste.
Qual o papel da conectividade aérea no crescimento do turismo?
Um destino só pode crescer se tiver conectividade. Promover um lugar é inútil se não houver como chegar lá. Hoje, o Brasil está vivenciando um forte crescimento em voos internacionais, com companhias aéreas como a TAP voando para 13 cidades brasileiras e a Iberia expandindo rotas e novas conexões com os Estados Unidos e a Europa.
Como está reagindo o investimento hoteleiro?
O investimento hoteleiro acompanha esse crescimento. Redes internacionais como a portuguesa Vila Galé estão inaugurando diversos hotéis no Brasil, o que reflete a confiança no mercado brasileiro e em suas perspectivas de longo prazo.
Que destinos fora dos roteiros turísticos tradicionais os viajantes europeus devem descobrir?
A Amazônia é um dos grandes territórios à espera de serem descobertos. É uma floresta tropical deslumbrante, com infraestrutura turística e opções de turismo de luxo. O Pantanal, com suas experiências voltadas para a vida selvagem, e o Cerrado, com destinos como a Chapada dos Veadeiros, oferecem uma experiência na natureza que se distancia do tradicional sol e praia.
O Brasil já é o principal destino de ecoturismo do mundo, mas ainda há muito a descobrir na Europa.
Quais são os mercados de origem estratégicos para este ano?
A estratégia baseia-se em inteligência de dados. A Alemanha combina cultura com sol e praias, a França tem forte ligação com esportes como o kitesurf no Nordeste, e a China é um mercado estratégico e em crescimento. Este é o Ano Cultural Brasil-China, e os turistas chineses demonstram grande interesse em destinos como Foz do Iguaçu e São Paulo, além de serem um mercado com alto poder aquisitivo. O Brasil também retomou sua presença nas principais feiras internacionais de turismo na China, o que fortalece sua posição nesse mercado.